Sobre ser pai e continuar trabalhando

Sobre ser pai e continuar trabalhando – Por Cassio Grinberg

Então, você se tornou pai. Ou recém descobriu que vai ser. Ou tirou a camisinha, apenas para ‘ver o que acontece’ — vou lhe dizer o que acontece: a maior aventura de um homem. A vida sem freio, mas cheia de paradoxos.

Independente de quem seja o “chefe de família” (em 40% dos lares brasileiros, é a mulher), é preciso que você seja pai, ou seja: que esteja presente. E que dê suporte. Não é a sociedade, seus pais, seus brothers, nem mesmo sua esposa que esperam isso de você: são seus próprios filhos. Cresceu a responsabilidade? Está se achando grandão porque precisa ser pai e continuar trabalhando? Pare por aí: sua jornada representa apenas uma fração do que a mãe deles precisa encarar todos os dias (e noites).

Digamos que você se enquadre entre os 4% dos lares brasileiros com empregados domésticos. Ainda assim, terá que se mexer, e a ajuda da família é apenas isso: uma ajuda. Você vai trocar fraldas na madrugada depois de ter trabalhado o dia todo, molhar o perfex na água morna e se agachar no chão à tardinha e depois disso fazer o jantar, porque sua esposa estará cansada e, provavelmente, até precise reclamar: apenas escute, lembre que dar a última palavra é um ato para lá de superestimado, e saiba que nem sempre serão concretizadas as segundas intenções rotuladas no vinho que você separou da adega.

Enquanto isso, os e-mails continuam entrando. Os whatsapps que você devia ter respondido no meio da tarde ficarão para a manhã seguinte. E você vai gostar disso: nem vai pensar nisso enquanto esfrega a esponja morna nas costinhas de seu menino, veste o chambre e liga em velocidade um o secador nos cabelos de sua menina — e se você for um profissional multifacetado cheio de sonhos e de projetos (no meu caso, também pai de gêmeos), e quiser achar tempo para trabalhar, ter blogs, andar de skate, correr na beira do rio, eu lhe aconselho que preste atenção: primeiro, respire e aceite uma situação que você mesmo escolheu. Segundo, mande o mainstream para os ares, hackeie o mundo e estabeleça seu preço. Cobre o dobro, e separe o dobro do tempo para sua família.

Impossível? Estamos em crise econômica? Você tem um emprego e seu chefe está chorando mais que seus bebês? Lembre-se de por que contrataram você, e não outro. Seus clientes estão pedindo mais? Cobre mais caro. É difícil, eu sei: mas não era você quem queria ser grandão? Descubra aquilo que apenas você consegue oferecer, e se posicione. Talvez você não saiba, mas é você quem controla isso. Não tem certeza do quanto vale? Lembre-se de como brilham os olhinhos mais sinceros do mundo simplesmente porque você aparece sem aviso na sala. De como o enxergam como um super-herói pelo simples fato de você mergulhar a cabeça embaixo do chuveiro, e sorrir.

Feliz Dia, papais!

Cassio Grinberg

Estrategista de marcas, escritor, skatista e autor dos blogs banhodegemeos.wordpress.comskatelosopher.wordpress.com.
Pai dos gêmeos Benjamin e Gabriela, de dois anos e seis meses.
Email: [email protected]
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